terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Mais Cultura nas Universidades

Principais topicos da portaria interministerial numero 18
 O programa Mais Cultura nas Universidades instituído pelo portaria Interministerial de n° 18 dispõe sobre:
 formação cidadã no campo das artes e formação de agentes da cultura
 a parceria com as universidades e IF´s mediante edital publicado no sitio do MEC
 às universidades e IF´s podem vincular-se a instituições de caráter cultural, artístico ou educacional
 Fórum Nacional de Formação e Inovação em Arte e Cultura será coordenado pelo Comitê Nacional responsável por sua implantação
 objetivos: formação artística, cultura, cidadã e crítica dos estudantes da educação superior, profissional e técnica, estimular e atender demandas de desenvolvimento local e regional, descentralizar a oferta presencial e a distância de cursos e programas de qualificação profissional, técnico, médio, graduação e pós-graduação, pesquisa e extensão
 ampliar oportunidades por meio da qualificação profissional, inclusive por meio do PRONATEC
 apoiar técnica e financeiramente as instituições no desenvolvimento da implementação de políticas públicas, na preservação e valorização dos patrimônios culturais, no desenvolvimento de pesquisas, metodologias e práticas inovadoras e no desenvolvimento da economia criativa, no intercâmbio de docentes e discentes no âmbito nacional e internacional, na realização de eventos, grupos, redes, ações e circuitos culturais.
 Estimular a produção artística em diálogo com as comunidades, populações locais e sociedade civil em consonância com o PNE e o PNC, ações sobre os saberes tradicionais e populares integrando-os a pesquisa, ensino e extensão.
 Difundir, divulgar, preservar os saberes populares.
 Estimular a articulação entre a educação superior e a educação profissional e tecnológica com a educação básica.
 A publicação anual de edital do MEC, que convocará as instituições a apresentarem Plano de Cultura com prazo de execução de até 2 anos na seguinte linha de ação: Apoiar projetos em espaços culturais que articulem ações de formação, inovação e difusão, inclusive equipando e reestruturando laboratórios e ambientes de ensino e pesquisa existentes
 O edital para apresentação do Plano de Cultura descreverá os eixos temáticos e disporá sobre os requisitos, condições de participação e critério de seleção de propostas, cabendo ao proponente no PC proposto, discriminar e fundamentar suas demandas, parcerias, metas, estratégias, etapas e meios para concretizá-la.
 Caberá aos setores institucionais responsáveis por arte e cultura das instituições no período previsto em edital a adesão mediante apresentação de proposta instruída com:
 PC na linha de ação observados os arts. 5° e 7°
 Estimativa de recursos necessários ao cumprimento das metas fixadas pela instituição na forma do art. 3° vinculando o orçamento integral às etapas com previsão de execução de 12 a 24 meses
 O envio de relatórios anuais periódicos ao MEC.
 A composição do Comitê Técnico (CT) por dois membros do MEC, dois do Minc, um membro da ANDIFES e um membro do CONIF
 A seleção dos PC´s pelo CT conforme estabelecido nos arts. 5° e 6°.
 Para o desenvolvimento dos PC´s aprovados de rede de instituições e parceiros em especial no que tange a extensão e a pesquisa, por meio de estágios, intercâmbios e residências.

domingo, 3 de novembro de 2013

Let´s Make Money - Vamos Fazer Dinheiro - Legendado - 2008


Vamos Fazer Dinheiro - Legendado from Nóslen Salem on Vimeo.

Para quem ainda não entendeu como começou a crise econômica mundial em 2008 encontra neste documentário uma das respostas mais eloquentes e mais bem elaboradas. Calcada em cima de fatos.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Renúncia de Jânio Quadros

Memória Histórica
Ao contrário do quê supõe a memória histórica popular que, insiste em dizer, e também acreditar, no discurso do presidente Jânio que, a razão para sua renúncia tenha sido motivada por "forças estranhas", uma confissão sua feita em livros diz o contrário. O aprendiz de ditador respondia aos seus próprios interesses quando da renúncia, tentando forçar uma intervenção militar, o que podemos confirmar nesta passagem da coleção "História do Povo Brasileiro" em 6 volumes, escrito em parceria com Afonso Arinos de Melo Franco:

"Primeiro, operar-se-ia a renúncia; segundo, abrir-se-ia o vazio sucessório - visto que a João Goulart [...] não permitiriam as forças militares a posse, e, destarte, ficaria o país acéfalo; terceiro, ou bem se passaria a uma fórmula, em consequência da qual ele mesmo emergisse como primeiro mandatário, mas já dentro de novo regime institucional, ou bem, sem ele, as forças armadas se encarregariam de montar esse novo regime [...]".

A tentativa fracassada de golpe encontrou na brava resistência dos governadores Leonel Brizola no Rio Grande do Sul, Mauro Borges em Goiânia e Miguel Arraes em Pernambuco, que se juntaram em volta da Rede (ou Campanha) da Legalidade, um entrave. O que é relatado com riqueza de detalhes no livro 
"1961 - O Golpe Derrotado" do jornalista Flávio Tavares.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Cuba: uma democracia autentica

O sistema político em Cuba: uma democracia autêntica

Cuba constitui um sistema de poder popular único, autóctone, que não é cópia de nenhum outro
“O governo do povo, pelo povo e para o povo”
(Abraham Lincoln)

Anita Leocadia Prestes*


Ao estudar o sistema político vigente em Cuba, é necessário lembrar que seus antecedentes remontam ao ano de 1869, quando o povo da pequena ilha caribenha lutava de armas na mão pela independência do jugo colonial espanhol. Seus representantes se reuniram na parte do território já liberado e constituíram a Assembléia Legislativa, que aprovou a primeira Constituição da República de Cuba em armas. Era assim estabelecida a igualdade de todos os cidadãos perante a lei e abolida a escravidão até então existente. Essa primeira Assembléia Constituinte elegeu o Parlamento cubano daquela época e também, de forma democrática, seu Presidente, assim como o Presidente da República de Cuba em armas, designando ainda o Chefe do Exército que levaria adiante a luta pela independência.
Cuba socialista reconheceu a importância de tal herança e, inspirada também nos ensinamentos do grande pensador e líder revolucionário José Marti, chegou a criar um sistema político que constitui um Sistema de Poder Popular único, autóctone, que não é cópia de nenhum outro. Em Cuba não existem os chamados três poderes (executivo, legislativo e judiciário), característicos do sistema político burguês. Há um só poder – o poder popular. Como o povo exerce o poder? Segundo a Constituição, o povo o exerce quando aprova a Constituição e elege seus representantes e, em outros momentos, mediante as Assembléias do Poder Popular e outros órgãos que são eleitos por estas Assembléias, como é o caso do Conselho de Estado, órgão da Assembléia Nacional. Portanto, o poder popular é único e exercido através das Assembléias do Poder Popular.
Outro elemento importante do sistema político cubano é a existência, de acordo com a Constituição, de um único partido – o Partido Comunista. Não se trata de um partido eleitoral, e por isso não participa do processo eleitoral, designando ou propondo candidatos ou realizando campanha a favor de determinados candidatos. Seguindo o caminho apontado por José Marti, fundador do Partido Revolucionário Cubano - partido único como única via para conquistar a unidade de todo o povo na luta pela independência e a soberania do país, e também na luta por justiça social -, o Partido Comunista de Cuba se diferencia do conceito clássico de partidos políticos; além de não ser um partido eleitoral, é o partido dirigente da sociedade, cujas funções e cujo papel são reconhecidos pela imensa maioria do povo. A definição do seu papel está inscrita na Constituição, aprovada em referendo público, mediante voto livre, direto e secreto de 97,7% da população.
É importante ressaltar que o PC é constituído pelos cidadãos mais avançados do país, o que se garante mediante um processo de consulta das massas. São os trabalhadores que não pertencem ao PC que propõem, em assembléias, as pessoas que devem ser aceitas em suas fileiras. Depois que o Partido toma decisão sobre as propostas dos trabalhadores, se reúne novamente com eles para informá-los. Quando toma decisões em seus congressos, o PC as discutiu antes com a população. O Partido não dá ordens à Assembléia Nacional do Poder Popular nem ao Governo. O PC, após consultar o povo, sugere e propõe aos órgãos do Poder Popular e ao Governo as questões que somente a essas instituições cabe o papel de decisão.
O Parlamento cubano se apóia em cinco pilares de uma democracia genuína e verdadeira, a saber:
•O povo propõe e nomeia livre e democraticamente os seus candidatos.
•Os candidatos são eleitos mediante voto direto, secreto e majoritário dos eleitores.
•O mandato dos eleitos pode ser revogado pelo povo a qualquer momento.
•O povo controla sistematicamente os eleitos.
•O povo participa com eles da tomada das decisões mais importantes.
O sistema do Poder Popular em Cuba é constituído pela Assembléia Nacional, as Assembléias Provinciais, as Assembléias Municipais, o Conselho Popular e a Circunscrição Eleitoral, que é o degrau básico de todo o sistema. Nenhum desses órgãos está subordinado a outro, mas todos funcionam de forma que suas funções e atividades sejam complementares, tendo em vista alcançar o objetivo de que o povo possa exercer o governo de maneira prática e efetiva.
O sistema do Poder Popular se apresenta atualmente em Cuba da seguinte maneira: no nível nacional, a Assembléia Nacional do Poder Popular; em cada uma das 14 províncias, as Assembléias Provinciais do Poder Popular e nos 169 municípios, as Assembléias Municipais; no nível de comunidade, os Conselhos Populares (1540); cada Conselho agrupa várias circunscrições eleitorais e é integrado pelos seus delegados, dirigentes de organizações de massas e representantes de entidades administrativas. No nível de base, ainda que sem formar parte de maneira orgânica da estrutura do sistema do Poder Popular, nem do Estado, tem-se a circunscrição eleitoral. A circunscrição eleitoral e o seu delegado são a peça-chave, a peça fundamental do sistema. A circunscrição se organiza para efeito das eleições, mas o delegado continua funcionando na área por ela abarcada e, por isso, a mesma continua sendo sempre denominada de circunscrição.
Participam das eleições todos os cidadãos cubanos a partir dos 16 anos de idade, que estejam em pleno gozo dos seus direitos políticos e não se incluam nas exceções previstas na Constituição e nas leis do país. Os  membros das Forças Armadas têm direito a voto, a eleger e a ser eleitos. A Constituição estabelece que cada eleitor tem direito a um só voto. O voto é livre, igual e secreto. É um direito constitucional e um dever cívico, que se exerce de maneira voluntária, e quem não o fizer não pode ser punido.
Diferentemente dos sistemas eleitorais das democracias representativas burguesas, em que os candidatos aos cargos eletivos são escolhidos e apresentados pelos partidos políticos, em Cuba o direito de escolher e apresentar os candidatos a Delegados às Assembléias Municipais do Poder Popular é exclusivamente dos eleitores. Esse direito é exercido nas assembléias gerais dos eleitores das áreas de uma circunscrição eleitoral da qual eles sejam eleitores. A circunscrição eleitoral é uma divisão territorial do Município e constitui a célula fundamental do Sistema do Poder Popular. O número de circunscrições eleitorais em cada Município é determinado a partir do número de seus habitantes de maneira que o número de delegados das circunscrições à Assembléia Municipal nunca seja inferior a trinta.
O registro eleitoral em Cuba é automático, público e gratuito; todo cidadão, ao atingir os 16 anos de idade e estando em pleno gozo dos seus direitos políticos, é registrado como eleitor. Segundo a lei, no país são realizados dois tipos de eleições: 1) eleições gerais, em que são eleitos, a cada cinco anos, os Deputados à Assembléia Nacional e demais instâncias de âmbito nacional, incluindo o Conselho de Estado, assim como os Delegados às Assembléias Provinciais e Municipais e seus Presidentes e Vice-presidentes; 2) eleições parciais, a cada dois anos e meio, em que são eleitos os Delegados às Assembléias Municipais e seus Presidentes e Vice-presidentes. Deve-se assinalar que tanto os Deputados à Assembléia Nacional quanto os Delegados às Assembléias Provinciais e Municipais são eleitos diretamente pela população.
As eleições são convocadas pelo Conselho de Estado, órgão da Assembléia Nacional que a representa entre os períodos de suas sessões, executa suas decisões e cumpre as funções que a Constituição lhe atribui. Para organizar e dirigir os processos eleitorais, são designadas Comissões Eleitorais Nacional, Provinciais, Municipais, de Distritos, de Circunscrição e, em casos necessários, Especiais. A Comissão Eleitoral Nacional é designada pelo Conselho de Estado, as Comissões Provinciais e Especiais são designadas pela Comissão Eleitoral Nacional, as Comissões Eleitorais Municipais pelas Comissões Eleitorais Provinciais e assim por diante. Todos os gastos com as eleições são assumidos pelo Orçamento do Estado; portanto os candidatos nada gastam durante todo o processo eleitoral.
Para elaborar e apresentar os projetos de candidaturas de Delegados às Assembléias Provinciais e de Deputados à Assembléia Nacional e para preencher os cargos que são eleitos por elas e as Assembléias Municipais, são criadas as Comissões de Candidaturas Nacional, Provinciais e Municipais integradas por representantes das organizações de massas e de estudantes e presididas por um representante da Central de Trabalhadores de Cuba, assegurando desta maneira a direção dos trabalhadores em todo o processo eleitoral.A propaganda eleitoral é feita exclusivamente pelas Comissões Eleitorais, garantidas a todos os candidatos condições de igualdade; nenhum candidato pode fazer campanha para si próprio.
Para ser proposto como candidato a Deputado à Assembléia Nacional, é necessário ter sido apresentado como pré-candidato por uma das organizações de massas do país, que a Comissão Nacional de Candidaturas submeta essa proposta à consideração da Assembléia do Poder Popular do município correspondente, e que esta, pelo voto de mais da metade dos Delegados presentes, aprove a sua designação como candidato por esse território. Será considerado eleito Deputado à Assembléia Nacional o candidato que, tendo sido apresentado pela respectiva Assembléia Municipal, tenha obtido mais da metade dos votos válidos emitidos no Município ou Distrito Eleitoral, segundo o caso de que se trate. As eleições para os demais níveis do Poder Popular seguirão a mesma sistemática.
Em Cuba, os Deputados à Assembléia Nacional e os Delegados às demais Assembléias não recebem nenhum tipo de remuneração pelo exercício do mandato popular; continuam exercendo suas profissões em seus locais de trabalho e recebendo o salário correspondente. A Assembléia Nacional se reúne duas vezes ao ano, as Provinciais Municipais com maior frequência. Os Deputados e Delegados exercem seus mandatos junto aos seus eleitores, prestando-lhes contas periodicamente e podendo, de acordo com a Lei, serem por eles removidos a qualquer momento, desde que, em sua maioria, considerem que seus representantes não estão correspondendo aos compromissos assumidos perante o povo.
Sem espaço para um exame mais detalhado do Sistema Político de Cuba, é esclarecedor, entretanto, abordar o processo de eleição do Presidente do país, que é o Presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros. Para ser eleito Presidente, é necessário ser Deputado e, por isso, deve ter sido eleito por voto direto e secreto da população, da mesma forma que todos os 609 Deputados da Assembléia Nacional. No caso específico, por exemplo, do Presidente Fidel Castro, ele foi designado candidato pela Assembléia Municipal de Santiago de Cuba e eleito pelos eleitores de uma circunscrição do município e, além disso, eleito pela maioria, pois a Lei eleitoral estabelece que nenhum Deputado pode ser eleito sem obter mais de 50% dos votos válidos. Posteriormente, sua candidatura a Presidente do Conselho de Estado foi votada pelos Deputados, devendo alcançar mais de 50% dos votos para ser considerado eleito.
A abordagem realizada do Sistema Político de Cuba, ainda que sucinta, evidencia seu caráter popular e democrático, que é, entretanto, permanentemente distorcido e falsificado pela mídia a serviço dos interesses do grande capital internacionalizado.
* Anita Leocadia Prestes é professora do Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ e presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Olhos Azuis - Jane Elliot

Blue Eyes - Brown Eyes - Olhos Azuis - Jane Elliott from Nóslen Salem on Vimeo.

A Lua no Labirinto - Pablo Neruda

A LUA NO LABIRINTO


Pouco a pouco e também muito a muito
me aconteceu a vida,
e que insignificante é este assunto:
estas veias levaram
sangue meu que poucas vezes vi,
respirei o ar de tantas regiões
sem guardar para mim uma amostra de nenhum
e afinal de contas já o sabem todos:
ninguém leva nada de seu
e a vida foi um empréstimo de ossos.
O belo foi aprender a não se saciar
da tristeza nem da alegria,
esperar o talvez de uma última gota,
pedir mais ao mel e às trevas.


Talvez fui castigado:
talvez fui condenado a ser feliz.
Fique afirmado aqui que ninguém
passou perto de mim sem me compartir.
E que meti a colher até o cotovelo
numa adversidade que não era minha,
no padecimento dos outros.

Não se tratou de palma ou de partido
mas de pouca coisa: não poder
viver nem respirar essa sombra,
com essa sombra de outros como torres,
como árvores amargas que o enterram,
como pancadas de pedra nos joelhos.


A tua própria ferida se cura com pranto,
a tua própria ferida se cura com canto,
mas a tua porta mesmo se dessangra
a viúva, o índio, o pobre, o pescado,
e o filho do mineiro não conhece
o seu pai entre tantas queimaduras.
Muito bem, mas o meu ofício
foi
a plenitude da alma:
um ai de gozo que te corta a respiração,
um suspiro de planta derrubada
ou o quantitativo da ação.


Eu gostava de crescer com a manhã,
embeber-me de sol, com pleno gozo
de sol, de sal, de luz marinha e onda,
e nesse avanço da espuma
fundou meu coração seu movimento:
crescer com profundo paroxismo
e morrer se derramando na areia.


(Antologia Poética. trad. Eliane Zagury. 14a. ed. Rio de Janeiro : José Olympio, 1996, p. 229-230)

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Luiz Alberto Vianna Moniz Bandeira Analisa a Espionagem Política contra o Brasil



Moniz Bandeira Denunciou Espionagem dos EUA em 2005

Para o historiador e cientista político Moniz Bandeira, grande parte do que agora vem sendo revelado  sobre as operações de espionagem da  NSA americana e o ECHELON foi abordada em seu livro “Formação do Império Américano”, lançado em 2005, isto é, há sete anos passados, pela Editora Civilização Brasioleira. Essa obra rambém foi publicada na Argentina, Cuba e China. Eis abaixo um dos trechos, escolhidos pelo próprio historiador, atualmente morando na Alemanha:
Ao mesmo tempo em que se empenhava em expandir o comércio dos Estados Unidos, por meio de tratados, Clinton recorreu amplamente aos serviços de inteligência para promover os interesses das corporações americanas. Em setembro de  1993, pediu à CIA que espionasse os fabricantes japoneses, que projetavam a fabricação de automóveis com zero-emissão de gás, e transmitiu a informação para  a Ford, General Motors e Chrysler.
Também ordenou que a NSA e o FBI, em 1993, espionassem  a conferência da Asia-Pacific Economic Cooperation (APEC), Seattle, onde aparelhos foram instalados secretamente em todos os quartos do hotel, visando a  obter informação relacionada com negócios para a construção no Vietnã, na província de Gia Lai, a hydro-electrica Yaly, com capacidade de produzir 720 megawatt (MW), suprindo 3.68 billion kilowatt-hora (kWh) de eletricidade à potência da rede que servia ao centro do país e às regiões montanhosas. Essa seria a Segunda maior hidro-elétrica do Vitenã (a maior era a de Hoa Binh, no rio Da).  As informações foram passadas para os contribuintes de alto nível do Partido Democrata.
A espionagem industrial não apenas prejudicou as companhias estrangeiras.  Companhias americanas também. Quando o Vietnã mostrou-se interessado em adquirir dois aviões de carga 737 de um homem de negócios, nos Estados Unidos, o secretário de Comércio, Ronald Brown, informado pelos serviços de inteligência, prejudicou a venda, tratando de conseguir um financiamento favorável para a aquisição de dois aparelhos novos da Boeing.
A comunidade de inteligência dedicou-se assim a colaborar mais ativamente com a promoção comercial, que Clinton tratava de impulsionar, com o objetivo de incrementar as exportações dos Estados Unidos. As corporações industriais dedicadas ao desenvolvimento de tecnologia, como Lockheed, Boeing, Loral, TRW, e Raytheon, receberam comumente importantes informações comerciais, interceptadas pelos serviços de inteligência, através do ECHELON, sistema de vigilância, altamente informatizado para o processamento de Communication Intelliggence (COMINT).[1]
Esse sistema tivera inicialmente o objetivo  de captar mensagens e comunicações diplomáticas entre os governos estrangeiros e suas embaixadas e missões no exterior. Com o desenvolvimento da tecnologia, ampliou-se a sua utilização, ao ser usado para interceptar comunicações internacionais via satélite, tais como telefonemas, faxes, mensagens através da Internet, por meio de equipamentos instalados em Elmendorf (Alaska), Yakima (Estado de Washington), Sugar Grove (Virginia ocidental), Porto Rico e Guam (Oceano Pacífico), bem como nas embaixadas e bases aéreas militares.
Desde os fins dos anos 60, a coleta de inteligência econômica e informações sobre o desenvolvimento científico e tecnológico tornou-se crescentemente um dos mais importantes objetivos da COMINT, operado pela National Security Agency (NSA), dos Estados Unidos, e pelo Government Communications Headquarters (GCHQ), da Grã-Bretanha, que em 1948 haviam firmado um pacto secreto, conhecido como UKUSA (UK-USA) – Signals Intelligence (SIGINT)[2], formando um pool para interceptação de mensagens da União Soviética e demais países do Bloco Socialista. À UKUSA, a primeira grande aliança de serviços de inteligência em tempo de paz[3], aderiram, posteriormente, agências de outros países: Communications Security Establishment (CSE), do Canadá, Defense Security Directorate (DSD), da Austrália e do General Communications Security Bureau (GCSB), da Nova Zelândia.
Os serviços de inteligência dos Estados Unidos tentaram várias vezes negar que colaborassem com as corporações industriais, e canalizavam suas informações, através de seus aliados estrangeiros ou de agências, como o Trade Promotion Co-ordinating Committee (TPCC), uma agência inter-governamental criada em 1992 pelo Export Enhancement Act e dirigida pelo Departamento de Comércio, com o objetivo de unificar e coordenar as atividades de exportação e financiamento do governo americano, e desenvolver ampla estratégia visando a desenvolver esses programas.  O Advocacy Center, dentro do TPCC, constituiu o núcleo fundamental da National Export Strategy[4], elaborada na administração de Clinton, e não restringiu suas atividades a corromper, com propinas, fazer lobby junto aos governos estrangeiros, em favor das companhias americanas. Funcionou junto com o  Office of Executive Support (antigo Office of Intelligence Liaison), agência de alta segurança dentro do Departamento de Comércio, integrada por funcionários da CIA, com a mais alta autorização para acesso a segredos e equipamentos de vinculação com os serviços de com o objetivo de acomodar a necessidade de inteligência de caráter econômico e Clinton, pouco depois de inaugurar seu governo,  fundara o National Economic Council, para alimentar as corporações americanas com informações captadas pelos serviços de inteligência.
Em 1994, o governo de Washington dedicou-se a assegurar advocacia a mais de 70 transações, que envolviam exportações, no valor de mais de US$ 20 bilhões, e criariam mais de 300.000 postos de trabalho nos Estados Unidos. E, segundo os jornalistas Duncan Campbell e Paul Lashmar, NSA, em 1994, não sóinterceptou faxes e chamadas telefônicas entre o consórcio europeus Airbus e o governo da Arábia Saudita,  permitindo ao governo americano intervir  em favor da Boeing Co. , como a “US intelligence played a decisive role” na concorrência para a montagem do SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia), pelo Brasil, e assegurou a vitória da Raytheon, a companhia encarregada da manutenção e serviços de engenharia da estação de interceptação de satélites do sistema  ECHELON, em  Sugar Grove[5]. E próprio Ronald Brown,  em 6 de Janeiro de 1995, declarou, perante o Committe on Science, da House of Reprsentatives, que a agência intergovernamental Trade Promotion Co-ordinating Committee havia elaborado, em 1993 a National Export Strategy, que consistia, claramente, em “to help U.S. companies — small, medium and large — realize their full export potential[6]. E proclamou, “our advocacy, and that of President Clinton, on behalf of U.S. businesses competing for foreign government procurements is beginning to bear fruit”.  Nesse mesmo ano, 1995, The New York Times noticiou que as estações da NSA e da CIA, em Tókio estavam encarregadas fornecer o detalhadas informações à equipe do  USTR Mickey Kantor, para enfrentar os negociadores japoneses, em Genebra, em uma disputa comercial sobre automóveis.  E o jornal japonêsMainichi acusou a NSA de monitorar as companhias japoneses, através do ECHELON, a fim de favorecer as companhias americanas.

Negrinha - Monteiro Lobato - Análise Literária


O conto “Negrinha” de Monteiro Lobato é uma vírgula, uma tênue vírgula na história do Brasil, e mais especificamente dos negros, e tambem na transição do sistema escravista da Casa Grande e Senzala para a República. E um conto infantil que ao mesmo que flerta com o darwinismo racial finissecular que aportaria no mundo, de maneira nefasta e desastrosa, entre as décadas de 1920 e 1930, encontrando importante ressonância no Brasil nas obras do médico Nina Rodrigues e na do também médico Renato Kehl, fundador da Sociedade Eugênica de São Paulo em 1917, e responsável pelo Primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia em 1929, pretende utilizar a literatura para dizer o que não se pode dizer às claras, como admite Monteiro Lobato em 1930 em carta ao amigo Godofredo Rangel: “é um processo indireto de fazer eugenia, e os processos indiretos, no Brasil, work muito mais eficientemente”.

Cuja utilizaçao encontra-se presente em toda obra de Lobato, e o fez experimentar dissabores editoriais algumas vezes como quando referindo-se e lamentando a recusa de editores estadounidenses em publicar seu romance “O presidente negro” confessa indignado “Meu romance não encontra editor.[...]. Acham-nos ofensivo à dignidade americana, visto admitir que depois de tanto séculos de progresso moral possa este povo, coletivamente, cometer a sangue frio o belo crime que sugeri. Errei vindo cá tão verde. Devia ter vindo no tempo em que eles linchavam os negros.”
Portanto, o início de seu conto nada possui de terno ou despretensioso, é cinismo frio e calculado de um delinquente racista convicto. Observemos “Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados”, nesta aparente descriçao cheia de doçura revela-se a negação da cor como negação da identidade. Para seguir numa sutil contextualização histórica que aparentemente nada diz. “Nascera na senzala, de mãe escrava, e seu primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha”, seu antepassado escravo e o futuro rompimento com este sistema, no famigerado 13 de maio em nada modificaram sua realidade, pois, continuava no canto, mas, desta vez, o canto da República; não tivera protagonismo no sistema escravista, a nao ser como mao de obra explorada e semioforo de um estereoripo racista que se perpetuaria, e mesmo após “fim da escravatura” continua não tendo, pois, continua assumindo, portanto, o unico lugar que as elites lhe permitiram quando lhes escravizaram: o canto.
E é no canto da casa das senhoras virtuosas, esteio de religião, e legitimadas pelas instituições de suas épocas que essa pobre “peste” - assim xingada pela patroa – vive. 
Vive jogada, vilipendiada, como todos os párias do mundo. Vítima da cólera incontrolável da senhora desequilibrada que a cerca, que nem na infância reconheceu-lhe como outro ser senciente. “Ai! Punha-lhe os nervos em carne viva”.
Sendo sempre alvo das reminiscências de um paradigma sociopolítico que insiste em sobreviver, e se exprimir nessa expressao perojativa “Quem é a peste que está chorando aí?” ensejando essa relação vertical que nunca é rompida e nunca cessa, confirmando em “Cale a boca, diabo!” apenas a libertação formal dos negros récem-libertados que ainda precisam submeter-se, ao associar-se, forçosamente, a essa relação contratualista de patrão-empregado, sem, no entanto, ter seus direitos garantidos, mantendo assim, a relação Casa Grande e Senzala. 
“Assim cresceu Negrinha – magra, atrofiada, com os olhos eternamente assustados”, a Casa Grande não só pulverizava a moral e o sentimento de dignidade como também comprometia o corpo, a nutrição, e o desenvolvimento, em contraste com a Dona Inácia com as suas “banhas no trono”. 
A liberdade formalizada, no entanto, não era alvo de respeito e estímulo, muito pelo contrário, era tutelada, mantendo o tutelado sempre numa situação de infantilidade moral e emocional, privando-lhe, por meio da coerção verbal do direito de ir e vir, como vemos na frase “Com pretextos de que às soltas reinaria no quintal, estragando as plantas, a boa senhora punha-a na sala, ao pé de si, num desvão da porta.” “Sentadinha ai, e bico, hein?” com a constante utilização daquilo que Lobato batizou de work  “Braços cruzados, já, diabo!”.
Paralisada, só restava a criança a dádiva do prazer interno, das paisagens interiores, como quando viu pela primeira vez o cuco “cantar as horas com a bocarra vermelha, arrufando as asas”, “Sorria-se então por dentro, feliz, um instante”.
Numa demonstração estremecida e frágil de alcançar uma auto-estima que fora sempre, e rotineiramente desrespeitada com palavras extremamente ofensivas “Pestinha, diabo, bruxa, pata choca, pinto gorado, sujeira, bisca, coisa ruim”, resultando numa excepcionalidade comovedora quando ao ser chamada de “bubonica” sentiu-se lisonjeada, achando a palavra linda, o que não durou muito, ja que, “Perceberam-no e suprimiram-na da lista”, pois, “Estava escrito que não teria um gostinho só na vida – nem este de personalizar a peste”.
O que se seguiu com as agressões ao seu corpo, alvo de cólera descarregada “todos os dias, houvesse ou não houvesse razão” “Sua pobre carne exercia para os cascudos, cocres e beliscões a mesma atração que o imã exerce para o aço”. 
Pois, posto que quem possuiu escravos não abandou os costumes de longa data, adquiridos ainda quando o sistema escravista de abuso vigorava, não “se afizera ao novo regime – essa indecência de negro igual a branco e qualquer coisinha: polícia! “Qualquer coisinha”: uma mucuma assada ao forno se engraçou dela o senhor uma novena de relho porque disse: “Como é ruim, a sinhá”. Reclamação essa que causava-lhes profundo desconforto, posto que, não existia ordenamento jurídico claro, e mais, o sentimento dos senhores nunca fora educado para aceitar um negro como pessoa e ser de direito, o que se confirma em “O 13 de maio tirou-lhe das mãos o azorrague, mas não lhe tirou da alma a gana. Conservava negrinha em casa como remédio para os frenesis”, vendo-a como propriedade e descarregando sua raiva de sempre com a anuencia que so uma mudança formal, sem resultado de fundo, pode provocar.
Que perigosamente e em ritmo revelava uma personalidade transtornada. “A vara de marmelo, flexivel, cortante: para “doer fino” nada melhor!” “Era pouco, mas antes isso do que nada. Lá de quando em quando vinha um castigo maior para desobstruir o figado e matar as saudades do bom tempo” que culminou na crueldade do ovo quente na boca da garota orfã.
Motivada por um comportamento reproduzido, aprendido no ambiente que em fora (des)educada, quando, numa atitude de ousadia e irresponsabilidade impensada disse a uma criada: “peste”, ao que lhe imputaram uma cruel e arbitrária pena, o já citado ovo quente, traço das mentalidades que aprovam a surra, a agressão a e tortura como pedagógico. Permitindo-nos acompanhar um verdadeiro horror “Negrinha abriu a boca, como o cuco, e fechou os olhos. A patroa, então, com uma colher, tirou da agua “pulando” o ovo e zás! Na boca da pequena. E antes que o urro de dor saisse, suas mãos amordaçaram-na até que o ovo arrefecesse.”
Para logo em seguida estabelecer-se um enorme, profundo e gritante contraste, entre o que se faz, se diz e se é de fato, quando da entrada do monsenhor em sua casa, e o entabulamento de um diálogo que está embuído de cinismo do início ao fim, por parte da senhora, que mesmo sabendo de sua postura, evoca o nome de Deus, evoca suas virtudes enquanto responsável pela orfã que lhe restou, em contrapartida do monsenhor, que em atitude de convicção sincera fala das virtudes de se ser caridoso.
Mas, como nem só de consequentes e repetitivas e profundas tristezas se compunha a vida, o mês de dezembro vem amenizar-lhe de maneira ligeiramente boa a vida da orfã, preta, analfabeta, pobre e maltratada, com a chegada de “duas sobrinhas suas, pequenotas, lindas meninas louras, ricas, nascidas e criadas em ninho de plumas”, o que despertou o olhar curioso da garota que sempre se encontrava no canto, quando as viu “irromperem pela casa como dois anjos do ceu – alegres, pulando e rindo com a vivacidade de cachorrinhos novos” logo imaginou que será isso motivo para castigo, “Pois não era crime brincar?”, porém, viu-se enganada, e descobriu ali a desigualdade humana, da qual tentou participar se aproximando para tentar igualar-se, mas, descobrindo-se desigual por demais, foi colocar-se no seu lugar, amargando a dor de ser expulsa desta maneira tão ríspida: “Já para o seu lugar, pestinha! Não se enxerga?” Que lhe calou fundo no peito, e a pôs reflexiva por um tempo de “como seria bom brincar” para quem só “brincara em imaginação com o cuco”. 
Até que o êxtase falou mais alto que o medo, ao ver malas chegarem e os brinquedos serem retirados dali e apresentados em sua frente, viu uma boneca, percebeu ser uma criança artificial e perguntou:
É feita? … perguntou, extasiada.
E por um breve momento se pulverizaram as nuvens nefastas sobre sua cabeça e espírito entorpecidos de pobre criança, e as ingenuidades das tres crianças  se comunicaram num diálogo entabulado com bastante simplicidade, porém, não se assombro de Negrinha. 
Nunca viu boneca? Perguntaram as meninas louras.
Boneca? Repetiu Negrinha. Chama-se boneca?
Como é boba! Disseram. E você como se chama?
Negrinha.
Que pôde pela primeira vez tocar uma boneca, e com isso, experimentar uma epifania, entrando num verdadeira êxtase, “Era como se penetrara no ceu e os anjos a rodeassem, e um filhinho de anjo de lhe tivesse vindo adormecer ao colo. Tamanho foi o seu enlevo que não viu chegar a patroa, já de volta”, que quase teve sua epifania interrompida pela presença beligerante e nefasta de Dona Inácia, que, mesmo vendo a cena, preferiu, por primeira vez, não interferir, muito embora sua gana de alma permanecesse, de maneira ambígua, coexistindo com sentimentos de uma ternura possível e uma redutibilidade sentimental impossível, uma paisagem interior possível e uma expressão facial impossível, explicitada em “Vão todas brincar no jardim, e vá você também, mas veja lá, hein?”
O que permitiu definitivamente que a epifania se completasse, e que uma cosmovisão surgisse. Como nos introduz o narrador-personagem “Varia a pele, a condição, mas a alma da criança é a mesma na princesinha e na mendiga”.
Que restitui a criança tudo aquilo que a estória e a tradição haviam lhe negado: sua  alma, sua condição de gente, sua condição de sonhadora, sua consciência.
“Negrinha, coisa alguma, percebeu nesse dia da boneca que tinha uma alma”.O que a história por meio da tradição católica lhe negou. “Sentiu-se elevada à altura de ente humano”. O que a tradição também católica, a utilização tendenciosa da Bíblia, e o tráfico lhe negaram. Para finalmente descobrir-se ser senciente “Cessara de ser coisa – e doravante ser-lhe-ia impossível viver a vida de coisa. Se não era coisa! Se sentia! Se vibrava!”
Mas essa consciência foi fatal. Foi fatal para Negrinha e foi fatal para João Antônio. Essa consciência os mataram do mundo e de si os mataram. E da pior forma possível, em vida, cotidianamente, aos poucos, dia após dia. De Negrinha posso fazer o breve relato, de João Antônio deixo para Jane Pereira.
“Terminadas as férias, partiram as meninas levando consigo a boneca, e a casa voltou ao ramerrão habitual. Só não voltou a si Negrinha. Sentia-se outra, inteiramente transformada.”
“Aquele dezembro de férias, luminosa rajada de ceu trevas a dentro do seu doloroso inferno, envenenara-a.”
“Vivera realizando sonhos da imaginação. Desabrochara-se de alma.”
E assim morreu, neste devaneio, epifania e delírio completo.
E muito embora o delírio e o devaneio a fizessem estar nas nuvens, e ressoassem vozes e o cuco lhe tivesse aparecido, não se sabe se de memória, o pós-mortem não lhe reservava boas coisas, é o que podemos supor, posto que o cuco “apareceu de bocarra aberta” porém “imóvel, sem rufar as asas”, impedindo assim que esta jovem que tinha sido vilipendiada e maltratada em vida alçasse voos, como o fazem os pássaros. Um destino que se nos aparece realmente trágico, e realmente sem perspectiva, mesmo pós-mortem, pois, “tudo se esvaiu em trevas” e “vala comum”, que se antes era o canto a ela reservado, é agora a vala que a aproxima dos seus iguais, dos seus “comuns”, que ainda assim não significou paz, pois, carregara traçado no corpo as evidências de uma vida mal vivida.
Deixando ao mundo duas lembranças, para as meninas ricas, e para da dona Inacia.
“Lembras-te daquela bobinha da titia, que nunca vira boneca?” disseram as meninas, e
“Como era boa para um cocre!” dissera dona Inacia.
Expondo às claras os sentimentos egoístas que moviam e movem aqueles que lhe rodeavam, ou, rodearam por brevíssimo tempo. Pois, as lembranças revelam um juízo de valor, e um valor comprometido com a própria cosmovisão, incapaz de se solidarizar com a dor e o desaparecimento do outro.

domingo, 22 de setembro de 2013

Tipos de Raciocínio

É mais ou menos consensual entre os filósofos que nossas maneiras de raciocinar são cinco:

(a) partimos de experiências parecidas e repetidas, e elaboramos uma conclusão geral. Por exemplo, depois de ver que várias porções de água fervem a 100°C, fazemos uma frase geral, dizendo que "Toda porção de água ferve a 100°C". Às vezes, já com certa experiência no uso de uma conclusão geral, prevemos que casos particulares vão ocorrer. Por exemplo: "Como sabemos que chove quando há nuvens carregadas, concluo que irá chover, porque estou vendo nuvens carregadas". A esse tipo de procedimento raciocinativo chamamos INDUÇÃO;
(b) outras vezes, partimos de certos dados já conhecidos e tiramos as consequências que estão implícitas neles. Por exemplo, ao dizer a frase "Todos os seres humanos são mortais" e ao acrescentar "Sócrates é um ser humano", não precisamos fazer grandes esforços para ver que o nome "Sócrates" estava incluído no sujeito da primeira frase. A esse procedimento raciocinativo em que incluímos dados particulares num princípio geral chamamos DEDUÇÃO;
(c) outras vezes, ainda, guiando-nos pela sensibilidade para com certos sinais aparentemente não relacionados, chegamos a conclusões que fazem sentido, por exemplo, como age um detetive ou como age o cientista no momento em que cria novas hipóteses indutivas. A esse procedimento chamamos ABDUÇÃO;
(d) podemos, ainda, estabelecer comparações explicativas entre situações distintas e raciocinar, então, por analogia. Por exemplo, dizemos que, "assim como um ser humano tem boa saúde quando se alimenta bem, esses alimentos também devem ser saudáveis". A rigor, "saúde" e "doença" são termos atribuídos a seres humanos, mas, como os alimentos causam a saúde do ser humano, dizemos, por analogia, que eles também são saudáveis. A essa maneira de raciocinar chamamos ANALOGIA;
(e) algumas vezes, ainda, quando não somos conhecedores de determinado assunto, confiamos na palavra de quem conhece esse assunto. Isso ocorre, por exemplo, quando confiamos na palavra de um médico, de um cientista etc. A esse procedimento argumentativo chamamos ARGUMENTO DE AUTORIDADE.

RACIOCÍNIO :
Indução
Dedução
Abdução
Analogia
Argumento de autoridade

FILHO, Juvenal Savian. Argumentação: a ferramenta do filosofar. Coleção Filosofias: o prazer do pensar. WMFMartinsFontes, São Paulo, 2011.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O que é fascismo?

O fascismo é uma tendência que surge na fase imperialista do capitalismo, que procura se fortalecer nas condições de implantação do capitalismo monopolista de Estado, exprimindo-se através de uma política favorável à crescente concentração do capital; é um movimento político de conteúdo social conservador, que se disfarça sob uma máscara "modernizadora", guiado pela ideologia de um pragmatismo radical, servindo-se de mitos irracionalistas e conciliando-os com procedimentos racionalistas-formais de tipo manipulatório. O fascismo é um movimento chauvinista, antiliberal, antidemocrático, antissocialista, antioperário. Seu crescimento num país pressupõe condições históricas especiais, pressupõe uma preparação reacionária que tenha sido capaz de minar as bases das forças potencialmente antifascistas (enfraquecendo-lhe a influência junto às massas); e pressupõe também as condições da chamada sociedade de massas de consumo dirigido, bem como a existência nele de um certo nível de fusão do capital bancário com o capital industrial, isto é, a existência do capital financeiro.

KONDER, Leandro. Introdução ao Fascismo. 2° Edição, 2009, São Paulo.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Codigo de Amor do Seculo XII

1
A alegaçao de casamento nao e desculpa legitima contra o amor.
2
Quem nao sabe calar, nao sabe amar.
3
Ninguem pode se dar a dois amores.
4
O amor sempre pode aumentar ou diminuir.
5
Nao ha sabor no que o amante toma a força do outro amante.
6
So em plena puberdade o macho ama plenamente.
7
Prescreve-se a um dos amantes, a morte do outro, uma viuvez de dois anos.
8
Ninguem, sem haver uma razao mais que suficiente, deve ser privado de seu direito em amor.
9
Ninguem pode amar se nao e levado pela persuasao de amor (pela esperança de ser amado)
10
O amor e geralmente expulso de casa pela avareza.
11
Nao convem amar a quem se teria vergonha de desejar em matrimonio.
12
O amor verdadeiro so deseja caricias de quem se ama.
13
Amor divulgado raramente dura.
14
O sucesso muito facil logo tira o encanto do amor: os obstaculos dao-lhe valor.
15
Todo aquele que ama empalidece ao ver a pessoa amada.
16
A visao imprevista da pessoa amada, treme-se.
17
Um novo amor expulsa o anterior.
18
So o merito nos torna dignos do amor.
19
O amor que se extingue logo cai rapidamente e raramente se anima.
20
O apaixonado sempre teme.
21
Pelo ciume verdadeiro, a afeiçao de amor sempre aumenta.
22
Das suspeitas e ciumes derivados do amor, aumenta a sua afeiçao.
23
Menos dorme e menos come quem abriga pensamentos de amor.
24
Toda açao do amante termina em pensar na pessoa amada.
25
O amor verdadeiro so julga bom o que sabe agradar a pessoa amada.
26
O amor nada pode recusar ao amor.
27
O amante nao pode ficar saciado com o gozo da pessoa amada.
28
Uma fragil presunçao leva o amante a ter sinistras suspeitas da pessoa amada.
29
Em excesso, o habito dos prazeres impede o nascimento do amor.
30
Uma pessoa que ama e assiduamente e sem interrupçoes ocupada pela imagem da pessoa amada.
31
Nada impede que uma mulher seja amada por dois homens, e um homem, por duas mulheres.

domingo, 11 de agosto de 2013

Francisco Eugênio dos Santos Tavares/Nóslen Salem - Antologia Pornográfica

Francisco Eugênio dos Santos Tavares (1913-1963)

Antônio Botto

Tenho preguiça e sono,
A alma e o corpo nu,
Tenho fobia de cono,
Ai quem me dera um fanchono
Que me quisesse ir ao cu!
Tenho preguiça e sono, 
A alma e o corpo nu.

Tenho sono e preguiça,
Sou um homossexual,
Em mim o prazer se atiça
Ao ver a potente pica
De um plebeu rude, brutal...
Tenho sono e preguiça,
Sou um homossexual.

Tenho haréns, tenho serralhos
De másculas mariposas,
Tenho seiscentos caralhos,
Uns rijos quais férreos malhos,
Outros macios como rosas. 
Tenho haréns, tenho serralhos
De másculas mariposas.

Tenho o corpo enlanguescido
Por volúpias siderais.
Tenho o cu prostituído
Por mangalhos bestiais.
Tenho o corpo enlanguescido
Por volúpias siderais.

Levai nos vossos traseiros,
Poetas da nossa terra!
Marsapos são os braseiros
Do amor. E, paneleiros,
Vereis o que o gozo encerra.
Levai nos vossos traseiros,
Poetas da nossa terra!

Nóslen Salem (1991-)

Felação

Tenho preguiça e languidez
Tédio, solidão e depressão
A alma e o corpo nu
Fobia de lugares estreitos
Ai quem me dera uma predadora
Que me quisesse ir ao Falo!
Tenho preguiça e languidez
Tédio, solidão e depressão
A alma e o corpo nu

Tenho languidez e preguiça
Sou um bissexual
Em mim o prazer se atiça
Ao ver uma xota de lábios lindos;
Uma bunda malhada
Tenho languidez e preguiça
Sou um bissexual

Não tenho harens
Não tenho bucetas
Não tenho harens
Não tenho bucetas

Tenho um corpo magro e branco
Tenho o cu inviolado
E o pau rijo
Tenho um corpo magro e branco
Tenho o cu inviolado

Levai chupadas no vosso pau
Politizados da nossa Terra!
Marsapos são os excitadores
Das xotas. E, bucetas,
Vereis que molhada fica.
Levai chupadas no vosso pau

Politizados da nossa Terra!